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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!





Hoje, 19/08/09, andei lendo os comentários desta rede, sobre a saída da Senadora Marina Silva do PT, e achei, em sua maioria, de uma injustiça sem tamanho. Mas o que esperar de uma atmosfera política em que o maniqueísmo reina absoluto?
Entendo, (à revelia de muitos, que acham que Marina vai dividir votos de uma provável candidatura Dilma), ser bom para a democracia brasileira, que, no primeiro turno, sejam debatidas as idéias de todos os matizes partidários e/ou pensantes, sobre os rumos políticos e econômicos do Brasil; e Marina representa, como ninguém mais, a idéia do desenvolvimento sustentável. Se vai ou não ser candidata, ou se, em sendo, ganhará as eleições, isso não é o mais importante. Pode até perder, como o Lula perdeu, defendendo um antigo ideário socialista, do qual, hoje em dia, a maioria do PT nem se lembra mais.
Mas, Marina não é um Lula de saias. Lula tinha a formação de sindicalista em São Paulo, e a visão do progresso forjado na industrialização. Marina vem das lutas dos seringueiros. E seu ideário é a fruta da convergência de todas as lutas ecossociais do planeta. É a hora de ouvi-la. Será que a pluralidade das idéias não tem o seu espaço nessa terra?
Antes de ouvir os comentários zangados e desleais dos maniqueus de plantão, melhor ouvir as razões da Marina e dar-lhe o crédito que o seu caráter merece e impõe:

"Cheguei à conclusão de algo muito semelhante ao que fiz a mais ou menos 30 anos atrás, quando decidi aos 16 anos sair da minha casa (...) naquele momento tive um sonho, de cuidar da saúde e estudar (...) e fui para Rio Branco, uma decisão difícil (...) eu recorro a essa história para dar a dimensão do que significa a dimensão de me desligar do Partido dos Trabalhadores depois de 30 anos de uma trajetória de trabalho, de construção, etc", comunicou.
(Notícias Terra)

Portadora da voz de um Chico Mendes, sonhadora e utópica, destemida e fiel ao partido até o fim, Marina é "mais macho que muito homem", como diz a canção da Maria Rita. E se apresenta como uma boa oportunidade para repensarmos os caminhos da política brasileira. Enquanto, em Brasília, os políticos chafurdam na disputa de quem é mais desonesto, se o Sarney ou o Virgílio, a senadora Marina Silva vem, em boa hora, levantar questões de uma nova mentalidade, uma política com visão planetária, que, pessoalmente, julgo, prioritária e vital, para o país e para o mundo, nessa quadra histórica da humanidade.

Então, é preciso que se ouça, com o respeito que ela merece, a Senadora Marina Silva. O Brasil não se limita à disputa "paulista" do PT versus PSDB. Existe um Brasil do Norte, com um povo sábio e antiquissimo, e do Nordeste, cuja geografia fez com que o autor de Os Sertões ficasse impressionado com a fortaleza de ânimo de seu povo .
O Brasil é plural, e isso é tão óbvio, que me espanta querer fazer das eleições do país, uma querela eleitoreira entre dois partidos, que dispense a participação das múltiplas vozes, que precisam participar da reconstrução dessa vida democrática, tão jovem, e por tantas vezes impedida de vicejar. Precisamos correr os riscos da liberdade. Fala, Marina! Fala!

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

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4 comentários:

Memória de Elefante disse...

¨liberdade vou te buscar, se for preciso até...( ) eu vou vem gavião vem caçador que eu prefiro a morte que qualquer ¨prisão¨ eu vou ¨ canção de um pássaro preso na gaiola que ouvi por aí e vamos pensar...

Eurico disse...

Sim, vamos pensar! O Brasil merece ser repensado!

Abraço fraterno

Mai disse...

BRAVO, amigo!
Te adoro.

Eurico disse...

Um abraçamigo, minha amiga-irmã, Mai. Grato.