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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Viva o Ecossocialismo!



O blogue Cultura Solidária subscreve as idéias do PES, com a sugestão de que a liberdade de culto e de expressão, o livre-pensar, o pensamento libertário e libertador sejam princípios basilares dessas diretrizes. Que ateus, deístas, materialistas e espiritualistas, anarquistas e teólogos da libertação política e espiritual possam comungar dessas idéias e combater o bom combate pela fraternidade entre os povos.


DIRETRIZES do PES, Partido do Eco-socialismo



A globalização mercantil como um planetário Coliseo romano
................... por Luís Eustáquio Soares


Em seu lado mais exuberante, de glamour de e para poucos, as elites econômicas, no mundo todo, vivem como uma farsante propaganda de cigarro, à custa de sanguessugar a energia vital da biodiversidade do planeta, porque têm queimado, transformando em fumaça e cinza, a riqueza, em rede, do conjunto das vidas do mundo, exibindo-as, as vidas, como troféu, no Coliseo romano-imperial, que é a globalização mercantil: fumaça de ilusões e falsificações no pulmão do mundo.

Claro está que esse tipo de civilização é, sob todos os pontos de vista, absurdo e injusto, além de inviável para aqueles mesmos que, por ora, estão sequestrando a multiplicidade sem fim das vidas do mundo, falseando-a, através de um jogo de disfarces, tal que, o que era biodiversidade, é transformado em diversidade de mercadorias, cujas cores desbotarão quando completarmos o único destino manisfesto, a que estamos realmente atrelados, na modernidade ocidental-planetária: o de acabar de vez com a vida na Terra.

A modernidade-mundo: um imenso matadouro

A modernidade ocidental-planetária é a civilização desse acúmulo de disfarces, em que o eu se pensa como superior aos demais seres, tendo-os, por conseqüência, como inimigos a serem batidos e abatidos.

Como um imenso matadouro, a modernidade funciona como se fosse uma pirâmide construída sobre um terreno frágil. Aqueles que estão no topo da pirâmide, cheios de privilégios, à custa do esforço, da humilhação e da extinção dos que se encontram em sua base, não sabem – ou não querem saber – que a inevitável destruição é igual para todos.

Mais cedo ou mais tarde toda pirâmide desmoronará, como um castelo de areia.

Não é suficiente, assim, a substituição do maquinista, que promete, em nome do progresso, acelerar mais ainda o trem da história moderna. Nada seria mais temerário. Também de nada adianta, dentro desse modelo genocida, diminuir ou mesmo acabar com as desigualdades sociais, no plano humano, destituindo as hierarquias que existem dentro do trem, pois é o trem mesmo que deve ser parado; é o modelo piramidal de sociedade que deve ser revisto, a favor de um modelo horizontal, de desarme total da espécie humana, desarme das armas de destruição massiva, mas também desarme das armas antropocêntricas, essa letal arma através da qual o humano se sobrepõe, como se superior fosse, a todos os outros seres do planeta; das armas afetivas, em nome das quais concentramos nossa infinita expressividade, de e para amar, nos parentes e nos iguais, constituindo o que poderíamos denominar de sociedade incestuosa, por não se permitir à mistura, por hierarquizar o amor, amando mais aos filhos, aos pais, aos amantes, tornando-nos indiferentes e impotentes para amar, com a mesma intensidade, ao desconhecido, ao estrangeiro, ao dessemelhante e ao estranho, aos quais, em primeira e última instância, não apenas evitamos,como ignoramos e odiamos, a fim de garantir a felicidade da sociedade da intimidade, que é a sociedade da mesma genética, da mesma língua, do mesmo ramo de saber, da mesma profissão, e assim por diante; das armas de gênero, as de diversos calibres de modelos de macho, inclusive com atualíssimas versões femininas; das armas étnicas, em que, não obstante o branco europeu continue sendo o modelo, outras etnias, com um indivíduo ou outro, podem igualmente, como um jogo de máscaras, ocupar a liderança, desde que seja para continuar colocando fogo na lenha da energia coletiva do mundo, dizimando-a; das, enfim, diversas formas de armas culturais, econômicas, epistemológicas.

A hora é agora

A hora é agora, de liberar-nos; de darmos um basta às oligarquias econômicas, midiáticas, étnicas, religiosas, sexuais e cognitivas, para inventarmo-nos, refazendo coletivamente nosso modo de viver, e conviver, reforçando a interdependência e a cooperação entre os viventes, de mortal para mortal, criando a rede sem fim de apoio ao presente e ao futuro da vida, na Terra.

Aqui chegamos à necessidade, porque se trata disso, de uma necessidade, de criar um partido como o Pés, Partido do Eco-Socialismo, cujo princípio fundamental é o da urgência urgentíssima de assumirmos, como civilização, o que sempre fôramos, mortais e vulneráveis, se vivemos isoladamente, em guerra com os demais seres; embora infinitamente criativos, se reforçarmos nossa dimensão coletiva, e comum.

Precisamos de uma civilização que proteja a vida e que, reconhecendo nossa mortalidade comum, sirva ao propósito de cultivar a delicada rede de interdependências e interações sociais, mentais e ambientais, as quais, em conjunto, constituem o cenário que garante a coexistência das vidas, na Terra.

Para tanto, o Partido do Eco-Socialismo orientar-se-á pelas seguintes premissas:

1.
Colaborar para fomentar uma cultura de e para a paz, propondo um desarme total da humanidade: um desarme bélico, afetivo, simbólico, epistemológico, cultural, e assim por diante;

2.
Todos os viventes deste planeta somos mortais e estamos no mesmo barco, razão pela qual ninguém é, sob ponto de vista algum, superior a nada e a ninguém;

3.
Reavaliarmos permanentemente toda a nossa formação antropocêntrica, através da reinvenção, igualmente permanente, de nossa relação com os outros seres do planeta. Para tanto, devemos partir da premissa de que não somos, sob hipótese alguma, senhores da terra, e de que nossa racionalidade é uma dentre outras;

4.
Colaborar para emegência história, no Brasil, na América Latina e no mundo, do protagonismo popular, como a base fundamental da verdadeira transformação social, ambiental e mental;
5.
Fazer parte, como constituído e constituinte, em rede, de um vigoroso movimento popular, consciente dos desafios e da consequente necessidade de lutar pela ampliação dos direitos dos povos e dos seres não humanos: direito à diversidade informativa, cognitiva, econômica, social, ambiental e mental;
6.
Para alcançarmos um verdadeiro protagonismo popular, temos que fazê-lo em âmbito local, nacional, continental e planetário. Somente a ação em rede, e visinária, pode destronar as oligarquias - de todo tipo, afinal- que promovem uma guerra incessante contra a biodiversidade, do e no planeta, a biodiversidade ambiental, social e mental;
7.
Propor a constituição de uma pluri-racionalidade, procurando estudar e incorporar, como humanos, as mais diversas racionalidades não humanas, principalmente aquelas que possam reforçar a nossa dimensão comum, de viventes de um mesmo planeta;

8.
Se vivemos no mesmo planeta e somos igualmente mortais, é porque somos igualmente inter-dependentes, razão pela qual a inter-dependência doravante deve ser o eixo de todas as nossas escolhas e realizações;

9.
Como conseqüência da premissa anterior, nossa referência deve ser a necessidade de constituirmos uma subjetividade humana – ecologia mental – que não entre em confronto nem com a sociedade, da qual faz parte, nem com o meio ambiente, do qual igualmente faz parte.

10.
As nossas três dimensões ecológicas, a ambiental, a social e a mental, devem co-existir num horizonte de igualdade radical, tal que uma não comprometa o horizonte expressivo da outra, mas, pelo contrário, o enriqueça, o dignifique e o reforce, coletivamente;

11.
Como o modelo de produção capitalista – e o da modernidade – não desenvolve a técnica e a combinação do processo social senão destruindo ao mesmo tempo as fontes das quais emana toda riqueza – o trabalhador, a biodiversidade, a terra -, o eco-socialismo deve não apenas ser crítico desse modelo de produção, mas antes de tudo esforçar-se para superá-lo;

12.
A crise atual não é atual, é desde sempre, e tem a ver com o movimento linear, progressivo e antropocêntrico das grandes civilizações humanas, razão pela qual devemos nos esforçar para frear o trem da história humana, substituindo-o pelo o que tem de emergente, como sonho coletivo, na expressividade cotidiana da luta por melhores condições de vida dos movimentos sociais existentes em todos os lugares do mundo;

13.
É indispensável que nos esforcemos para agir em rede, de tal sorte que o melhor de nossos esforços individuais e coletivos não apenas convirjam para a cooperação, mas igualmente procurem traduzir, na prática, uma militância comum entre os mais diversos movimentos sociais. Precisamos de um horizonte comum de objetivos entrelaçados, como o direito inalienável de todos os povos à soberania alimentar, assim como o acesso à água potável, à moradia digna, à educação revolucionária, sempre respeitando e ao mesmo dilatando a interação entre as três ecologias, a social, a ambiental e a mental;

14.
Nestes momentos em que a especulação financeira abriu as carnes do capitalismo, as organizações da esquerda, de todas as suas sensibilidades e correntes, deveriam converter-se em redes globais de denúncia e seus militantes e filiados nos grãos de areia que fossem mostrando a todos os que se está a passar, que ensinassem aos cidadãos o que os bancos fizeram com o seu dinheiro, o apoio que os bancos centrais e os governos prestaram aos especuladores multimilionários que provocaram a crise e, por fim, que lhe oferecessem as medidas alternativas que é preciso tomar sem demora para evitar que tudo se vá ruindo pouco a pouco;

15.
Agir em rede através da formação de trans-conexões entre movimentos sociais como o MST, a Via Campesina, os movimentos femininos, aqueles igualmente que colaborem para despadronizar o modelo patriarcal-heterossexual de nossas sociedades; os movimentos indígenas, afro-brasileiros, os Movimentos dos sem Mídia, o Movimento dos Sem Teto, os diversos movimentos de proteção aos animais, Greenpeace, enfim, através da trans-conexão dos mais diversos movimentos nacionais e internacionais, a fim de transformá-los em força motriz para alcançarmos os objetivos comuns-ecológicos do viver, que são aqueles que não comprometam a interação promissora entre a ecologia ambiental, a social e a mental;

16.
Trabalhar em rede para desglobalizar o mundo, isto é, para a constituição de uma civilização planetária em que a simples possibilidade de existência de qualquer forma de multinacional, de oligopólio, de monopólio,seja um escândalo de lesa-vida da e na Terra;

17.
Reforçar a necessidade de colaboração Sul-Sul, através da criação comum, entre o sul pobre do planeta, de sistemas financeiros que tenham a cooperação, e não o lucro, como referência;


Como parte dessa colaboração Sul-Sul, propõe-se:

1. O abandono das instituições criadas após a Segunda Grande Guerra Mundial, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio, dentre outras;
2. A criação do Banco do Sul, que tenha como princípio a cooperação, e não o lucro;
3. De um sistema de comunicação que atenda as necessidades informativas, educacionais, culturais e estratégicas do sul pobre do planeta;
4. Criação de um sistema jurídico comum que proíba explicitamente a presença de bases militares americanas – ou de qualquer outro país – em qualquer país que esteja em diálogo cooperativo Sul-Sul, trabalhando para que essa jurisprudência seja planetária;
5. Utilização de energias renováveis, como a solar e a eólica, num sistema de parceria trans-sul, sempre com abertura para o diálogo, de igual para igual, com os países centrais da modernidade ocidental;
6. Procurar, com participação popular, sair do modelo extrativista, de exportação de matéria prima,e desenvolvimentista, que tem marcado a história da periferia do sistmema, por ser um modelo depredador do meio ambiente e por ser especialmente nefasto para as populações autóctones, como as civilizações e comunidades indígenas.

QUANTO AO CAMPO DO TRABALHO E DA PARTICIPAÇÃO POPULAR

A divisão social do trabalho é o maior obstáculo para a constituição de uma sociedade nova, eco-socialista, porque ela, a divisão social do trabalho, é a referência norteadora para uma série indefinida de outras divisões, coma a do saber, a cultural, a geográfica, a de gênero, a étnica, a do humano e não humano, e tantas outras.

A fim de superar a sociedade da divisão social do trabalho, propomos:

1.
Emancipar o trabalho das relações de submissão: produção de mais-valia, de máximo lucro, mercantilização, divisão social do trabalho;

2.
Superação da alienação política do trabalhador através do exercício da democracia direta e do desenvolvimento de novas formas de participação, que destronem a divisão social do trabalho;

3.
Absorver a sociedade política na sociedade civil, construindo um novo nexo entre o Estado e o cidadão comum, por via da democracia direta, através de um Estado Comunal e de uma República de Conselhos Comunais

4.
Construção de uma nova hegemonia que permita superar a alienação consumista, o monopólio do saber, a estética da mercadoria, o que está implicado com a necessidade de uma revolução cultural e com a construção de uma subjetividade revolucionária;
5.
Crítica ao monopólio e da hierarquia do saber, que se materializa na expertocracia ou nas modalidades tecnocráticas diversas;

6.
Questionamento da fragmentação do saber, advindo da formação de disciplinas diversas e da especialização;

7.
Dotar o trabalho manual de dignidade teórica, reivindicando o saber popular e propugnando o diálogo entre os saberes;

8.
Assumir a democratização do saber e do pensar, com a cabeça própria: SOBERANIA E DEMOCRACIA COGNITIVAS.


Fonte do texto:
http://partidoecos.blogspot.com/

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Professores do Brasil (nostalgia e perplexidade)





Convidou-me o Valdeir, do blogue Ponderantes, para colaborar com uma postagem sobre o tema do Dia do Professor. O tema me traz dois sentimentos, nostalgia e perplexidade. Nostálgica, me vem a "saudade da professorinha que me ensinou o bê-a-bá"... ou seja, que me ensinou a ler o mundo. Naquele tempo, a escola pública ainda não tinha sofrido a pressão do empresariado da educação; o Estado ainda investia em coisas como saúde, educação, habitação popular, e o modelo capitalista selvagem não havia sucateado os hospitais e as escolas. Era um orgulho estudar na rede pública

Depois do golpe militar de 1964, o fatídico acordo MEC-USAID começa a destruir a excelente rede pública de ensino, que remontava ao Império, extinguindo-se o curso Clássico e diminuindo a carga horária do curso Científico, com a "patriótica" finalidade de criar as escolas profissionalizantes (que, em verdade, iriam criar a mão-de-obra barata para atender às multinacionais). Era tudo o que queria o capitalismo: o aluno pobre estudaria apenas para trabalhar nas fábricas e, logo em seguida, fazer da educação um produto que dá lucro. Com isso, a rede de ensino privado arrasta a classe média e alta, deixando os menos favorecidos numa rede pública, agora sucateada e desassistida.

Com o golpe, o Estado brasileiro optaria pelo mais selvagem modelo de capitalismo, cujas consequências nos chegam até os dias de hoje. Dentro desse modelo afundariam os hospitais e as escolas. A decisão de não fazer as reformas de base (entre elas a reforma agrária), propostas por Jango, em seu célebre comício da Candelária, fez com que se desse o êxodo dos moradores do campo para as grande cidades. Em breve, as capitais do Brasil, e as regiões metropolitanas estariam circundadas por imensos bolsões de miséria, de desemprego, de doença. A favelização do país começa com o golpe.

Espremidos entre a miséria das favelas e a miséria da escola, sitiado pela violência dos morros e do asfalto, encontraremos o mais oprimido entre os servidores públicos: o Educador.

Eis o motivo da minha perplexidade. O golpe que perseguiu educadores como Paulo Freire e Darci Ribeiro, deixa o legado da destruição do que era o sustentáculo da nação, a destruição do ensino público e gratuito, alijando das fontes do saber, milhões de crianças e jovens pobres. Esse é o cenário em que atua o Educador brasileiro. Não raras vezes enfrentando alunos armados em sala de aula. Enfrentando ainda as dificuldades dos parcos salários, do difícil acesso, das comunidades dominadas por milícias e traficantes. Essa situação me deixa perplexo quanto ao futuro e nostálgico com os tempos passados . Que saudade da professorinha que me ensinou o bê-a-bá, nos idos de 1960. Agora se faz necessária mais do que uma pedagogia do oprimido, mas uma pedagogia para os embrutecidos, posto que a miséria e a fome esgarçaram os valores da sociedade e trouxeram a violência para o dia a dia do tão sofrido Professor do Brasil.

Salve, Professor Valdeir.
É isso!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um mensagem vinda do futuro!



Carta escrita em 2070


Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém com 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro. Agora usamos toalhas de azeite mineral para limpar a pele. Antes, todas as mulheres mostravam seus lindos cabelos. Agora, devemos raspar a cabeça para mantê-la limpa sem água. Antes, o meu pai lavava o carro com uma mangueira. Hoje, não se acredita que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam “ Cuidem da água”, só que ninguém lhes ligava, pensávamos que a água jamais podia acabar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para beber eram oito copos por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo e tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado já que as redes de esgotos não se usam por falta de água. A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele provocadas pelos raios ultravioletas que já não tem a camada de ozônio que os filtrava na atmosfera.Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são as principais fontes de emprego e pagam-nos em água potável os salários. Os assaltos por uma garrafa água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele, uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não parece haver solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores e isso ajuda a diminuir o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se também a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos e como conseqüência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações. O governo cobra-nos pelo ar que respiramos. As pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas". Estas estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam a energia solar. Embora não sendo de boa qualidade, pode-se respirar. A idade média é de 35 anos. Em alguns países existem manchas de vegetação normalmente perto de um rio, que é fortemente vigiado pelo exercito. A água tornou-se num tesouro muito cobiçado - mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui não há arvores, porque quase nunca chove e quando se registra precipitação, é chuva ácida. As estações do ano têm sido severamente alteradas pelos testes atômicos. Advertiam-nos que devíamos cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse o saudável que era a gente, ela pergunta-me: Papai... Porque se acabou a água? Então, sinto um nó na garganta; não deixo de me sentir culpado, porque pertenço à geração que foi destruindo o meio ambiente ou simplesmente não levamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto, quando ainda podíamos fazer alguma coisa para salvar nosso planeta.




Postado em 18/05/07, por Raquel Mendonça no blogue
Deslimites do Ser
Marcadores: Autor Desconhecido

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Novos valores para nova civilização: ecossocialismo



















"No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários ...
"
...............................................................Frei Betto


No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais, e comunidades de base.
Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes:

A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possa pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta.

A segunda atitude - organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente.

Terceira atitude - resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: "O Eu é odioso".
No seu apogeu, o capitalismo mercantiliza tudo: a biodiversidade, o meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças etc, e até mesmo o nosso imaginário. Um exemplo trivial é o que se gasta com a compra de água potável engarrafada em indústria, dispensando o velho e bom filtro de cerâmica ou mesmo a coleta da limpíssima água da chuva após um minuto de precipitação.
Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor.

Quarta atitude - elaborar um projeto alternativo. A esperança favorece a emergência de novas utopias, que devem ser traduzidas em projetos políticos e culturais que sinalizem as bases de uma nova sociedade. Isso implica o resgate dos valores éticos, do senso de justiça, das práticas de solidariedade e partilha, e do respeito à natureza. Em suma, trata-se de um desafio também de ordem espiritual, na linha do que apregoava o professor Milton Santos, de que devemos priorizar os "bens infinitos" e não os "bens finitos".
O projeto de uma sociedade ecossocialista alternativa ao neoliberalismo exige revisar, a partir da queda do Muro de Berlim, os aspectos teóricos e práticos do socialismo real, em particular do ponto de vista da democracia participativa e da preservação ambiental.
O ecossocialismo se caracterizaria pela capacidade de incorporar conceito e práticas de igualdade social e desenvolvimento sustentável a partir de experiências dos movimentos sociais e ecológicos, assim como da Revolução Cubana, do levante zapatista do Chiapas, dos assentamentos do MST etc.
É vital incluir no projeto e no programa os paradigmas ora emergentes, como ecologia, indigenismo, ética comunitária, economia solidária, espiritualidade, feminismo e holística.
Este sonho, esta utopia, esta esperança que chamamos de ecossocialismo, não é senão a continuação das esperanças daqueles que lutaram pela defesa da vida, como Chico Mendes e Dorothy Stang, dois lutadores cristãos que deram suas vidas pela causa dos pobres, dos explorados, dos indígenas, dos trabalhadores da terra e dos povos da floresta.

Frei Betto
Quinta-feira 26 de fevereiro de 2009

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Fonte da imagem:
Marina: primeiras passadas para a utopia

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A Trave e o Argueiro


























"...tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão". Mt 7:5



"De antemão, afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político, e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas. Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira."
Leonardo Boff


Gente, eu concordo com tudo o que diz o Frei Leonardo Boff, no parágrafo acima, que recortei e colei da minha postagem anterior. Lembro que votei no Lula em todas as eleições, desde 1989. Toda a minha família também. Ex-mulher, filhos, primos, irmãs e amizades da época. Todos eram Lulistas, sem serem petistas. Bem, só pra registrar, um fato que me emocionou foi o voto de meu pai. Ele agora é cadeirante, 85 anos, mas em 2002, ainda caminhava, agarrado a um equipamento chamado andador. Foi assim que ele adentrou à sua Seção Eleitoral. Todo mundo aplaudiu aquele ancião que se arrastava para a urna, ostentando uma velha camiseta com a foto de Miguel Arraes (que guardei, evidentemente, para mostrar aos meus netos); bem, eu dizia que todo mundo aplaudiu o meu pai, chorando de alegria e depositando o seu voto para o Lula. Gente, meu papai ainda vive. Não pensem que morreu, o velhinho. Está muito vivo e ainda torce pelo Lula, durante as crises todas que tem vivido o Governo, nesses quase 8 anos de mandato. Eu também torço e votaria nele de novo. Mas, o que sei é que meu pai tem história: foi perseguido pela ditadura, só porque era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do Recife, em 1964. Nesse tempo ainda não existia o PT. Havia o Partidão. E ele era um fã da agremiação da foice e do martelo. O voto de meu pai no Lula merece respeito! Pois é em nome desse voto de meu pai, que faço essa postagem.

Há uma enorme trave nos olhos apaixonados dos militantes do Lulismo. Digo Lulismo, porque há vários PT's. Mas o que se defende afinal é o Lula. O símbolo da chegada do operariado ao poder!
Bem, há uma trave cegando os olhos dos militantes. Leio diversos blogues que defendem, com uma parcialidade de quem ama cegamente, de quem defende por paixão, tudo o que faz a base do Governo. A militância já não faz a crítica dos fatos, mas se joga em defesa do Lula. E ai daqueles que não se alinharem a essa unívoca defesa! Pau neles!
Vejam o caso Marina Silva. Não conseguem sequer perceber a grandeza, a forma íntegra com que ela deixou o PT. Lançam-se todos, num turbilhão de desacatos, a dizer que ela vai servir ao PSDB; Que os Verdes são um partido de aluguel; Que vai tirar votos da candidata do Lula.
Quem, da militância apaixonada, já parou pra ver quem é pior, se o PMDB ou sua cria, o PSDB. Quem consegue enxergar o PL, que já traz no nome aquilo contra que o PT brigava, o liberalismo. E tem mais: é o partido bancado pelo que há de mais retrógrado em matéria de "cristianismo": a Igreja do Edir Macedo.

Ah, e tem a coisa do criacionismo versus evolucionismo. Dizem (agora, depois que a Marina saiu do partido) que ela crê em Adão e Eva, e coisa e tal... Bem, primeiro que ela já era protestante, desde que foi eleita pelo PT. E segundo, que quem é católico deve ser, por princípio, criacionista. Em sendo assim, a grande maioria dos eleitores do Lula era criacionista. Será que a trave do olho não lhes permite ver isso.
No entanto, mesmo com essa enorme trave, os defensores da governabilidade e da questão da sucessão do Lula, apontam os argueiros dos olhos da Marina Silva: os Verdes, o PSDB e até o DEMO (vade retro!)
Também, pudera. A situação esquizóide de defender os Sem-terra de um lado e o latifundiário Sarney do outro; de atacar o criacionismo de Marina e aceitar o apoio criacionista do Edir Macedo; de ter pintado a cara e hoje apoiarem uma tropa de choque com o Collor a lhes descer goela abaixo. Não estão enxergando mais nada!

Papai está senil, mas lúcido e vendo tudo com clareza meridiana. Sofre com o rebaixamento do seu querido Santa Cruz Futebol Clube, reclama da herança funesta que o FHC deixou nos seus parcos proventos, porém, não admite a zorra em que se meteu o PT, para poder se eleger, e, depois, para poder governar. No entanto, a maior surpresa da vida de meu velho comunista, foi com o diretório do PT paulista. Disse-me ele, certo dia: meu filho, você percebeu que o PT mensaleiro era todo de São Paulo? Parece que não há aloprados petistas no sul, nem no norte/nordeste, nem mesmo em Minas ou no Rio de Janeiro, né? A m... foi toda em São Paulo.

O velho tem catarata, gente. Mas está lúcido. E muito atento! Nos seus olhos não há a trave, nem o argueiro.



Fonte da imagem:
Cisco no olho

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma Silva sucessora de um Silva?


artigo de Leonardo Boff


Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte.

Tal posição me confere a liberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.

De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder.

Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas.

Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas.

Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.

Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor?

Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muta coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam.

Estamos ainda esperando uma vigorosa autocrítica interna a propósito de presumido “mensalão”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.

Em grande parte, o PT virou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.

Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho.

Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular.

Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmente com referência à reforma agrária e a inclusão estratégica (e não meramente pontual) da ecologia.

Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou.

A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade.

A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecossistemas com seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já passou em 40% de sua capacidade de reposição.

Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológicohumanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana.

Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.

Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica?

É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação, amazônica. Ela também é uma Silva como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva.



O teólogo Leonardo Boff é autor do livro "Que Brasil queremos?" Vozes 2000


Fonte: Blog do Noblat (em 17ago09)


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Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!





Hoje, 19/08/09, andei lendo os comentários desta rede, sobre a saída da Senadora Marina Silva do PT, e achei, em sua maioria, de uma injustiça sem tamanho. Mas o que esperar de uma atmosfera política em que o maniqueísmo reina absoluto?
Entendo, (à revelia de muitos, que acham que Marina vai dividir votos de uma provável candidatura Dilma), ser bom para a democracia brasileira, que, no primeiro turno, sejam debatidas as idéias de todos os matizes partidários e/ou pensantes, sobre os rumos políticos e econômicos do Brasil; e Marina representa, como ninguém mais, a idéia do desenvolvimento sustentável. Se vai ou não ser candidata, ou se, em sendo, ganhará as eleições, isso não é o mais importante. Pode até perder, como o Lula perdeu, defendendo um antigo ideário socialista, do qual, hoje em dia, a maioria do PT nem se lembra mais.
Mas, Marina não é um Lula de saias. Lula tinha a formação de sindicalista em São Paulo, e a visão do progresso forjado na industrialização. Marina vem das lutas dos seringueiros. E seu ideário é a fruta da convergência de todas as lutas ecossociais do planeta. É a hora de ouvi-la. Será que a pluralidade das idéias não tem o seu espaço nessa terra?
Antes de ouvir os comentários zangados e desleais dos maniqueus de plantão, melhor ouvir as razões da Marina e dar-lhe o crédito que o seu caráter merece e impõe:

"Cheguei à conclusão de algo muito semelhante ao que fiz a mais ou menos 30 anos atrás, quando decidi aos 16 anos sair da minha casa (...) naquele momento tive um sonho, de cuidar da saúde e estudar (...) e fui para Rio Branco, uma decisão difícil (...) eu recorro a essa história para dar a dimensão do que significa a dimensão de me desligar do Partido dos Trabalhadores depois de 30 anos de uma trajetória de trabalho, de construção, etc", comunicou.
(Notícias Terra)

Portadora da voz de um Chico Mendes, sonhadora e utópica, destemida e fiel ao partido até o fim, Marina é "mais macho que muito homem", como diz a canção da Maria Rita. E se apresenta como uma boa oportunidade para repensarmos os caminhos da política brasileira. Enquanto, em Brasília, os políticos chafurdam na disputa de quem é mais desonesto, se o Sarney ou o Virgílio, a senadora Marina Silva vem, em boa hora, levantar questões de uma nova mentalidade, uma política com visão planetária, que, pessoalmente, julgo, prioritária e vital, para o país e para o mundo, nessa quadra histórica da humanidade.

Então, é preciso que se ouça, com o respeito que ela merece, a Senadora Marina Silva. O Brasil não se limita à disputa "paulista" do PT versus PSDB. Existe um Brasil do Norte, com um povo sábio e antiquissimo, e do Nordeste, cuja geografia fez com que o autor de Os Sertões ficasse impressionado com a fortaleza de ânimo de seu povo .
O Brasil é plural, e isso é tão óbvio, que me espanta querer fazer das eleições do país, uma querela eleitoreira entre dois partidos, que dispense a participação das múltiplas vozes, que precisam participar da reconstrução dessa vida democrática, tão jovem, e por tantas vezes impedida de vicejar. Precisamos correr os riscos da liberdade. Fala, Marina! Fala!

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

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